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Qualidade no atendimento Um pouco de boa vontade a serviço da qualidade
Na assistência à saúde, mais especialmente da assistência aos pacientes internados nas unidades de tratamento intensivo, a garantia da qualidade deve ser um objetivo contínuo de todos os membros da equipe de saúde.
Pode-se, erroneamente, pensar que a garantia da qualidade passa pela atuação dos profissionais mais qualificados, como médicos, enfermeiros e fisioterapeutas. Esquecemos que, na maior parte do tempo, a assistência aos pacientes é realizada primordialmente, e às vezes exclusivamente, por trabalhadores com menor nível de formação (técnicos de enfermagem, técnicos de radiologia, técnicos de nutrição, copeiros etc), bem como as atividades de higienização e limpeza dos leitos e equipamentos que são realizados por profissionais de apoio.
Assim, além dos profissionais de nível superior, o treinamento e o envolvimento das questões que podem resultar em melhora da qualidade, deve envolver todos os colaboradores, em todos os níveis, para alcançarmos melhores níveis de qualidade na assistência.
Igualmente errôneo é pensar que a qualidade só pode ser alcançada se dispusermos das melhores condições de infraestrutura, dos mais modernos e caros equipamentos e de todas as novas tecnologias em nossas UTIs. É certo que estas ferramentas modernas, que novas tecnologias, que novos medicamentos, podem sim ser úteis, mas antes disso é fundamental que o corpo de profissionais seja adequadamente qualificado para criticamente saber quando e onde fazer o uso da todos os instrumentos, todas as técnicas e conhecer o arsenal terapêutico disponível.
Sabidamente a falta de senso crítico e a aplicação de novas tecnologias sem o amplo conhecimento as devidas precauções podem resultar em prejuízos assistenciais.
Há, entretanto, um aspecto pouco explorado pelos formadores de opinião na área de treinamento em qualidade. Nós, seres humanos, temos a solidariedade como algo quase instintivo. Buscamos "ajudar" ao próximo, mesmo quando muito distante, a exemplo do que vem ocorrendo agora no Haiti e do que aconteceu no estado de Santa Catarina em novembro de 2008.
Acredito que este instinto solidário ocorre porque somos "tocados" exaustivamente pela imprensa sobre a desgraça da comunidade fragilizada nestes eventos catastróficos.
Será que não faríamos melhor aos nossos pacientes e seus familiares se pudéssemos ouvi-los melhor, pudéssemos vê-los melhor, se pudéssemos perceber melhor os seus problemas, encarando o paciente muito além da doença, como um indivíduo com seus problemas físicos, psicológicos, sociais e culturais.
Não seria também a estratégia de nos colocamos na posição do outro, uma ferramenta útil, para percebermos mais claramente quais as reais necessidades dos nossos pacientes e de seus familiares num momento crucial para o enfrentamento das diversas situações geradas pelas doenças e suas complicações.
Dr. Fernando Osni Machado Secretário Geral da AMIB - Biênio 2010-2011 |