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H1N1 nas UTIs Intensivistas mobilizados no sul do país
O rápido aumento no número de casos graves de H1N1 nos estados do sul do país vem chamando atenção das sociedades regionais, que intensificaram a coleta de informações e a disseminação de conteúdo orientativo para todos os profissionais que atuam nas Unidades de Terapias Intensivas e necessitam de informações sobre a nova gripe.
A Sociedade Catarinense de Terapia Intensiva (SOCATI), Sociedade de Terapia Intensiva do Paraná (SOTIPA) e Sociedade de Terapia Intensiva do Rio Grande do Sul (SOTIRGS) intensificaram a divulgação de informações sobre a nova gripe e estão formando parcerias locais com outras sociedades médicas e órgãos da prefeitura e governo para informar de forma mais ampla as normas e procedimentos para que os profissionais possam atuar com mais segurança, mesmo num cenário de crescente número de casos da doença.
Em Santa Catarina, a partir do aumento do número de casos graves de H1N1 no estado, a SOCATI, em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde, reforçou a disseminação de informações entre os profissionais das UTIs de acordo com as "Recomendações Para a Abordagem Racional dos Pacientes Adultos com Complicações Decorrentes da Nova Gripe H1N1 Admitidos em Unidades de Terapia Intensiva" divulgados pela AMIB.
Pela parceria também foi realizada, no dia 06 de agosto e transmitida para todo estado de Santa Catarina, uma web-conferência conduzida pela Secretaria de Estado da Saúde e Vigilância Sanitária. A apresentação online enfatizou os cuidados no diagnóstico e tratamento dos casos de H1N1, discutiu a conduta quanto ao isolamento de pacientes graves e reforçou a necessidade de informar a população sobre os riscos da nova gripe.
"Nas últimas semanas percebemos um significativo aumento na procura por informações sobre a H1N1, que mostram a preocupação do intensivista com a sua atuação e responsabilidade no ambiente da UTI diante do vírus", afirma Dr. Helio Anjos Ortiz Junior, presidente da SOCATI.
Em Curitiba, a SOTIPA é uma das integrantes de um comitê criado pela prefeitura e, com mais de 20 entidades entre sociedades médicas, bombeiros e secretaria de saúde, trabalha de forma efetiva na divulgação de informações referentes a prevenção e identificação dos novos casos da H1N1.Uma das medidas foi reservar leitos de UTIs em vários hospitais, exclusivamente, para os casos da nova gripe, entre eles os do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná, que está com todos os seus leitos destinados ao atendimentos de H1N1.
Outra preocupação da SOTIPA é orientar efetivamente o profissional intensivista para os riscos da nova gripe. "Diariamente somos procurados por profissionais que buscam informações para uma atuação mais segura no ambiente da Unidade de Terapia Intensiva, esclarece a Dra. Nazah Cherif Mohamad Youssef, tesoureira da SOTIPA.
Para o presidente da sociedade paranaense, Dr. Péricles Duarte, a SOTIPA vem acompanhando a crescente epidemia no estado. "Um dos maiores problemas que têm sido detectados nas UTIs são a preocupação com a segurança dos profissionais. Tem se alertado sobre a necessidade de uso de EPIs, particularmente as máscaras N95. Além disso, estamos alertando as equipes que os aparelhos de ventilação mecânica devem ter filtros antivirais acoplados ao circuito ventilatório".
Dr. Duarte também ressalta que tem havido uma grande demora no fornecimento do resultado dos exames de diagnóstico da infecção pelo vírus H1N1 por parte do laboratório do governo, e que tem impressionado os médicos a gravidade da insuficiência respiratória. "Na maioria dos casos muito graves houve um retardo de vários dias no início do uso do Oseltamivir, o que evidencia que ele deve ser aplicado mais precocemente do que era recomendado pelo Ministério da Saúde", conclui o intensivista.
No Rio Grande do Sul, a SOTIRGS está empenhada junto à defensoria pública, na garantia de flexibilização do protocolo de Oseltamivir, na esperança de que menos casos evoluam tão gravemente; na abertura urgente de leitos adicionais de Terapia Intensiva, especialmente nos locais com intensivistas treinados para o atendimento destas situações; e no cancelamento de cirurgias eletivas, visando atingir a meta anterior e reduzir a exposição desnecessária de pacientes ao ambiente hospitalar neste momento.
Segundo o presidente da sociedade gaúcha, Dr. Edison Moraes Rodrigues Filho, as condições de isolamento respiratório para esta demanda são pífias em todos os hospitais do estado. Se a previsão da Secretaria Estadual de 100 mil casos for confirmada e considerando-se uma letalidade de 0,5% e uma sobrevida de 50% em Terapia Intensiva, seriam necessários cerca de 1.000 leitos de UTI somente para H1N1, o que provavelmente já é mais do que todos os leitos disponíveis no estado. "Estamos registrando os prováveis casos para posterior publicação e contamos com a colaboração e co-participação dos intensivistas do estado para a coleta destas informações", conclui. |