Publicado em 05/04/18 às 12h51

Desmitificando a UTI: Cuidados Paliativos ajudam a lidar com o curso natural da vida


As últimas décadas têm sido marcadas pelo envelhecimento da população. O avanço tecnológico fez com que doenças mortais se convertessem em patologias crônicas, trazendo longevidade à população.

Neste cenário, surge na década de 1960, a prática de Cuidados Paliativos, em que profissionais de saúde de diversas áreas buscam aliviar sintomas e trazer bem-estar para seus pacientes. A prática surgiu como alternativa na assistência ao paciente oncológico e, hoje, foi revista e ampliada, sendo considerada um dos pilares básicos de assistência à saúde, no auxílio ao tratamento de diversas doenças crônicas.

Para a OMS – Organização Mundial de Saúde cuidados paliativos “consistem na assistência promovida por uma equipe multidisciplinar, que objetiva a melhoria da qualidade de vida do paciente e seus familiares, diante de uma doença que ameace a vida, por meio da prevenção e alívio do sofrimento, da identificação precoce, avaliação impecável e tratamento de dor e demais sintomas físicos, sociais, psicológicos e espirituais".

Cuidados Paliativos e UTI

A AMIB – Associação de Medicina Intensiva Brasileira luta para desmitificar a UTI como o lugar mais temido dos hospitais. Hoje, o cotidiano nas UTIs é humanizado, na contramão do imaginário popular, que percebe as unidades de terapia intensiva como lugares frios.

“Ainda que a terminalidade da vida esteja presente, ela é feita de forma consciente, pois a UTI não foi criada para a morte, ela é educada para curar”, comenta Dra. Lara Kretzer, membro do Comitê de Terminalidade da Vida e Cuidados Paliativos da AMIB. “Embora a cultura das UTIs seja a de curar, isso nem sempre é possível, de maneira que a terminalidade acaba estando presente. Isso faz com que tenhamos que estar preparados para lidar com ela”.

Quando isso acontece, o médico intensivista tem a obrigação ética de não prolongar a morte através de procedimentos invasivos. A equipe de saúde deve contribuir para favorecer uma morte digna, de forma a minimizar o sofrimento e fazer um trabalho integrado com familiares e entes queridos.

Os cuidados paliativos atuam no controle de sintomas e na manutenção da autonomia do paciente pelo maior tempo possível. Entre os princípios que regem a atuação da equipe multiprofissional preconizados pela OMS está o de não acelerar nem adiar a morte, afirmar a vida e considerar a morte como um processo normal da vida”.

“Muitas lideranças em Cuidados Paliativos surgem de dentro dos espaços de UTI. Vemos isso acontecendo, principalmente, porque vivenciamos a transição da vida para a morte de uma maneira mais aguda, e percebemos a diferença incrível que a prática faz na qualidade de vida dos pacientes”, comenta Dra. Lara.

Celebrar a vida

Os cuidados paliativos pressupõem que a dor não necessariamente faz parte do processo das doenças.  Encarar a vida e a morte, pela ótica paliativista, envolve uma série de procedimentos e nuances, sempre pautados por comunicar empaticamente e com clareza. Nesse contexto, o paciente que irá sobreviver é beneficiado, a família do paciente é beneficiada, o paciente que encara a terminalidade da vida é beneficiado.

“A pergunta não é se vamos morrer ou quando vamos morrer. Para os cuidados paliativos o ‘como’ é que é o importante., discorre Dra. Lara “A abordagem não tem como objetivo principal atuar na morte do paciente e, sim, celebrar a vida do paciente. A gente reconhece que a morte vai chegar, não lutamos contra ela, mas nosso compromisso é com a vida do doente”, finaliza a médica.

Formação

Por se tratar de um conhecimento relativamente novo, são recentes os esforços de instituições formais de ensino para incluírem a disciplina em suas grades curriculares.

Buscando preencher essa lacuna, A AMIB promove formações em Cuidados Paliativos para intensivistas em sua sede, localizada em São Paulo, e em congressos que promove pelo País.

O próximo curso pré-evento acontece nos dias 15 e 16 de maio no Congresso Luso-Brasileiro 2018, em Salvador. O curso abordará temas como aspectos éticos e legais, como e quando tomar decisões, quando colocar o paciente em sedação e comunicação com familiares.


Saiba mais e inscreva-se: http://www.amib.org.br/cursos-pre-lusobrasileiro2018/

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