Publicado em 06/02/20 às 11h44

CORONAVÍRUS: Esclarecimentos da AMIB

Um novo vírus surgiu em dezembro de 2019 em uma província chinesa, chamada Wuhan. É o Coronavírus denominado 2019-nCoV, que não havia sido identificado em humanos até agora. Este vírus foi provavelmente passado de animais contaminados à humanos, após mutações. Ele causa doença respiratória, que se dissemina pela via respiratória (espirro, tosse e transmissão de gotículas) entre seres humanos.

A doença se manifesta por febre, tosse e dispneia (falta de ar) em grande parte dos casos. Ela se parece com sintomas gripais no seu início, com período de incubação de 1 a 14 dias (embora a maioria dos casos sintomáticos comece com 1-4 dias após transmissão). Já se sabe também que existe boa parte dos casos que permanecem assintomáticos, porém podem transmitir o vírus.

De maneira geral, a doença está ainda muita restrita ao território de Wuhan na China, com a maioria absoluta dos casos: o “National Health Commission Update”, que é o comitê responsável pela atualização de número de casos na China (http://weekly.chinacdc.cn/news/TrackingtheEpidemic.htm), divulgou 23.260 casos suspeitos e  24.324 confirmados na data de 5 de fevereiro de 2020. 3219 casos foram considerados graves (13%) indicando internação.  Foram 490 mortes (cerca de 2% de letalidade) e 892 casos que tiveram alta hospitalar. Existem 23 países, além da China, que reportaram casos confirmados, quase todos de pacientes provenientes de Wuhan e províncias próximas.  Estão notificados 24 casos de transmissão fora da China de pessoas próximas (contato domiciliar) que manifestaram a doença.

É difícil estimar o número exato de infectados, pois parece existir indivíduos assintomáticos.   A proporção de pessoas com infecção confirmadas que necessitam hospitalização tem se mantido pouco acima de 10%. Porém a letalidade é baixa (2%), se comparamos com início de epidemias recentes, como SARS (letalidade 10%), MERS (30%), Ebola (25%) e febre amarela (30%); a gripe por influenza H1N1 teve letalidade baixa (1%). Até o momento as séries publicadas de pacientes hospitalizados mostram majoritariamente pessoas adultas, com média de 50 anos de idade, metade destas apresentando comorbidades, a maioria apresentando pneumonia. A indicação de terapia intensiva aconteceu predominantemente por insuficiência respiratória. A mortalidade de pacientes que precisam de UTI foi em torno de 10 a 15% (menor que a mortalidade por sepse, que gira em torno de 25%). 
Acreditamos que a experiência com doenças recentes como as descritas acima, acelerou o preparo de hospitais e UTI para doenças infecciosas, incluindo viroses respiratórias. Técnicas de ventilação mecânica e medicações venosas ajudam a controlar e acelerar a recuperação de pacientes. Embora não exista medicação antiviral específica para o 2019-nCoV, cuidados com pacientes graves são universais, recomendados e praticados nas UTI, principalmente no Brasil.

De qualquer maneira, o panorama atual frente à esta nova doença é animador. O governo chinês e boa parte da comunidade internacional agiu rapidamente para mitigar a movimentação de pessoas que possam ter a doença, por meio de quarentena e restrição a viagens a partir ou para regiões mais afetadas na China.
A resposta frente à nova doença na China foi rápida: comunicação transparente e de larga escala, principalmente intermediada pela Organização Mundial de Saúde (OMS); descoberta do genoma do vírus; desenvolvimento de teste diagnóstico específico; e adoção de quarentena e restrição da população potencialmente em risco de adquirir o vírus. É possível que epidemias antigas como a de SARS (2003) e influenza H1N1 (2009-2010) forçaram a organização das comunidades frente a novas ameaças, e a colaboração de pesquisadores e governos internacionais tenha ocorrido prontamente.

Já existe um Consórcio Internacional de Infecções Respiratórias Agudas Graves e Emergentes (ISARIC - International Severe Acute Respiratory and Emerging Infection Consortium) da Organização Mundial da Saúde que inclusive já tem uma proposta de protocolo para caracterização clínica de casos de Coronavírus, da qual fazem parte pessoas da rede Brasileira de pesquisa em Medicina Intensiva (BRICnet) e da Fiocruz, que se propõe a coletar dados para a geração de conhecimento e permitir uma resposta rápida a esta nova ameaça global.
Provavelmente vamos ter em breve estudos clínicos acontecendo para testar antivirais e possivelmente também vacinas. 

Portanto, no momento atual, não há proliferação de casos fora da China, sabendo que os casos fora do país são sempre rastreados devido à monitoração de aeroportos e outros meios de transporte.
Até a presente data (5 de fevereiro), não há casos confirmados no Brasil. São 13 casos em monitoração, e algumas dezenas de casos foram descartados, principalmente quando foram provenientes da China.
Mesmo que a doença se prolifere no nosso continente, é importante lembrar de prevenção através de medidas de boa higiene. Após a pandemia da gripe H1N1 em 2009, aprendemos que a principal medida a ser realizada individualmente é tomar precauções em relação ao contágio/transmissão. São elas:

●    Lavar frequentemente as mãos, especialmente após contato direto com pessoas doentes ou com o meio ambiente e antes de se alimentar.
●    Cobrir nariz e boca ao espirrar ou tossir.
●    Usar lenço descartável para higiene nasal.
●    Evitar tocar nas mucosas dos olhos e boca após proximidade com pessoas possivelmente infectadas.
●    Lavar as mãos com álcool gel ou água e sabão após tossir ou espirrar.
●    Não compartilhar objetos de uso pessoal, como talheres, pratos ou copos.
●    Procurar e manter os ambientes bem ventilados.

Comitê de Sepse e Infecção
Diretoria Executiva AMIB 2020-2021

 

Imagem de Gerd Altmann por Pixabay 

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