Publicada em 03/10/2013 às 13h45

Senado aprova por unanimidade Lei que obriga a presença do cirurgião dentista na UTI

O Projeto de Lei 2776/08, do deputado Neilton Mulim (PR-RJ),  que torna obrigatória a presença de dentistas em todas as unidades de terapia intensiva (UTIs), assim como em clínicas e hospitais públicos e privados em que haja pacientes internados, foi aprovado ontem por unanimidade pelo Senado Federal.

Na avaliação do deputado, esse atendimento específico manterá a higiene bucal e a saúde do paciente durante a sua internação, controlando doenças periodontais, cáries e outros problemas bucais, além de contribuir para a prevenção de infecções hospitalares, principalmente as respiratórias.

O parlamentar destaca que a pneumonia hospitalar traz grande preocupação. "Além de debilitar ainda mais o paciente, muitos acabam morrendo, e aumentam os custos hospitalares com diárias, antibióticos e exames", salienta.

Para a presidente do Departamento de Odontologia da AMIB, Dra. Teresa Morais (foto), essa é uma importante vitória para a categoria, mas, principalmente para os pacientes críticos. "Parabéns a todos do departamento de Odontologia da AMIB, cuja união e esforços dos seus associados, nas diversas regionais, foram decisivos nesta importante conquista! Vamos em frente! Também não poderia deixar de agradecer o apoio da Diretoria da AMIB”, disse.

A importância do cirurgião dentista na UTI - Com o constante surgimento de evidências científicas que respaldam o papel nocivo dos comprometimentos e das infecções dentárias e bucais para a degradação do estado geral dos pacientes alocados nas Unidades de Terapia Intensiva, a odontologia passa a dividir responsabilidades, com outros integrantes das equipes de saúde – especialmente nas questões referentes ao controle das infecções e da melhor oferta de conforto a esses pacientes.

Segundo Dra. Teresa, a falta de tratamento dentário aumenta a possibilidade de infecções e sepse nas Unidades de Terapia Intensiva e pode causar até pneumonia — doença responsável por 30% das mortes nesse ambiente. A higiene bucal deficiente é comum em pacientes internados em UTIs. “Esse problema propicia a colonização do biofilme bucal por microrganismos patogênicos, especialmente respiratórios”, alerta.

A AMIB, por meio de seu departamento de odontologia e da integração dos seus segmentos, prepara e amplia o convívio dessa importante área da saúde, com as que já se vincularam dentro do ambiente das UTIs e hospitais.

A presidente do Departamento de Odontologia da AMIB lembra que nas últimas décadas o cuidado com a saúde bucal deixou de ser uma simples preocupação estética ou processo patológico local para se tornar um fator determinante na saúde e na qualidade de vida do indivíduo. “Ao longo dos anos, a evolução da odontologia vem proporcionando um melhor entendimento da etiopatogenia das doenças bucais, e o interesse pelos efeitos sistêmicos dessas patologias tem se tornado cada vez mais objeto de estudo”, diz a cirurgiã dentista.

As pesquisas científicas estão conferindo as infecções bucais uma interrelação com outras patologias sistêmicas, além de considerá-las com potencial para agravar uma condição sistêmica preexistente ou ainda, colaborar para que o indivíduo tenha maior risco de desenvolver outras doenças. As infecções se tornaram um desafio no ambiente hospitalar, sendo uma manifestação frequente no paciente grave, internado na Unidade de Terapia Intensiva. Isso devido à condição clínica destes pacientes e a variedade de procedimentos invasivos rotineiramente realizados, que determinam uma probabilidade entre 5 e 10 vezes maior de contrair uma infecção, representando cerca de 20% do total das infecções de um hospital.

“Cabe ressaltar que o risco de infecção é diretamente proporcional à gravidade da doença, as condições nu­tricionais, a natureza dos procedimentos diagnósticos e ou terapêuticos, bem como ao tempo de internação, comprometimento imunológico dentre outros aspectos. Diante disto, é importante ampliar a discussão sobre o risco infeccioso que a cavidade bucal pode representar especialmente em pacientes críticos”, disse.

No ano passado, o Departamento de Odontologia da AMIB lançou a Campanha “Na UTI, lembre-se da Boca”. 

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