Publicada em 18/04/2012 às 11h21

Projeto de Lei que obriga a presença de cirurgiões-dentistas em UTI é aprovado

Projeto de Lei é aprovado por unanimidade em Brasília

O Projeto de Lei que torna obrigatória a presença de cirurgiões-dentistas nas UTI foi aprovado hoje em Brasília por unanimidade. A AMIB vem trabalhando para que essa prática seja realidade.

Alguns hospitais já contam com esse profissional contratado. Um dos mais antigos no Brasil é a Santa Casa de Barretos, que há oito anos mantém esse profissional atuando na UTI, sob a coordenação da Dra. Teresa Morais, também presidente do Departamento de Odontologia da AMIB.  

“Com o constante surgimento de evidências científicas que respaldam o papel nocivo dos comprometimentos e das infecções dentárias e bucais para a degradação do estado geral dos pacientes alocados nas Unidades de Terapia Intensiva, a odontologia passa a dividir responsabilidades, com outros integrantes das equipes de saúde – especialmente nas questões referentes ao controle das infecções e da melhor oferta de conforto a esses pacientes”, salienta Dra. Teresa. 

Segundo a cirurgiã-dentista, a falta de tratamento dentário aumenta a possibilidade de infecções e sepse nas Unidades de Terapia Intensiva e pode causar até pneumonia — doença responsável por 30% das mortes nesse ambiente. A higiene bucal deficiente é comum em pacientes internados em UTIs. “Esse problema propicia a colonização do biofilme bucal por microrganismos patogênicos, especialmente respiratórios”, alerta. 

A AMIB, por meio de seu departamento de odontologia e da integração dos seus segmentos, prepara e amplia o convívio dessa importante área da saúde, com as que já se vincularam dentro do ambiente das UTIs e hospitais. 

Apesar dos leitos destinados para terapia intensiva representarem menos de 2% dos leitos hospitalares disponíveis no Brasil, esses contribuem nas estatísticas com 25% das infecções hospitalares, com significativo impacto nos índices de morbidade e mortalidade.  Em muitos serviços as taxas chegam a ser 5 - 10 vezes maior neste grupo de pacientes.

Segundo a Dra. Teresa Marcia Morais, “diversos estudos apontam as infecções hospitalares como as mais frequentes complicações do tratamento nas Unidades de Terapia Intensiva. O papel do cirurgião dentista nesse ambiente pode auxiliar muito na diminuição de infecções graves, pois porcentagem considerável dessas infecções começa pela boca”, reforça.

A profissional lembra que nas últimas décadas o cuidado com a saúde bucal deixou de ser uma simples preocupação estética ou processo patológico local para se tornar um fator determinante na saúde e na qualidade de vida do indivíduo. “Ao longo dos anos, a evolução da odontologia vem proporcionando um melhor entendimento da etiopatogenia das doenças bucais, e o interesse pelos efeitos sistêmicos dessas patologias tem se tornado cada vez mais objeto de estudo”, diz a cirurgiã dentista.

As pesquisas científicas estão conferindo as infecções bucais uma interrelação com outras patologias sistêmicas, além de considerá-las com potencial para agravar uma condição sistêmica preexistente ou ainda, colaborar para que o indivíduo tenha maior risco de desenvolver outras doenças. As infecções se tornaram um desafio no ambiente hospitalar, sendo uma manifestação frequente no paciente grave, internado na Unidade de Terapia Intensiva. Isso devido à condição clínica destes pacientes e a variedade de procedimentos invasivos rotineiramente realizados, que determinam uma probabilidade entre 5 e 10 vezes maior de contrair uma infecção, representando cerca de 20% do total das infecções de um hospital.

Cabe ressaltar que o risco de infecção é diretamente proporcional à gravidade da doença, as condições nu­tricionais, a natureza dos procedimentos diagnósticos e ou terapêuticos, bem como ao tempo de internação, comprometimento imunológico dentre outros aspectos. Diante disto, é importante ampliar a discussão sobre o risco infeccioso que a cavidade bucal pode representar especialmente em pacientes críticos”, finaliza a Dra. Teresa Morais.

 

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