Publicada em 02/02/2018 às 09h05

Entrevista com o Presidente – Dr. Ciro Leite Mendes

Com mais de 37 anos de história, a AMIB inicia 2018 com uma nova Diretoria Executiva. Veja o que pensa o presidente Dr. Ciro Leite Mendes sobre os principais eixos de atuação da Associação e o futuro da Medicina Intensiva no País.

1.      Quais serão os eixos principais de atuação da AMIB na sua gestão?

A AMIB é uma associação em constante evolução. Entretanto, temos novos desafios. Em decorrência da crise que assola o país há algum tempo, precisamos manter o equilíbrio econômico-financeiro da associação. Para isso, estamos realizando esforços no sentido de diminuir despesas, bem como aumentar as receitas.

Além disso, outro aspecto importante é investir no aperfeiçoamento da formação do intensivista, que acreditamos ser o principal pilar no qual se assenta o futuro da nossa especialidade: garantir a formação de ótimos especialistas em todo território nacional é assegurar o seu reconhecimento e a estabilidade dos profissionais que nela atuam, em nosso país. Tendo isso em mente, estamos procurando estimular e respaldar as ações da Comissão de Formação do Intensivista em todos os aspectos que se fizerem necessários.

O relacionamento com as Regionais da AMIB também é um foco de atenção da atual gestão. Iremos realizar o primeiro Fórum das Regionais, no qual iremos discutir ações conjuntas para promover o crescimento do número de associados, a realização de eventos, o estímulo à atualização e aprimoramento profissionais, entre outros temas relevantes.

Por fim, mas não menos importante, um tópico que é muito caro ao intensivista que é o da defesa profissional. Esse assunto é também prioritário para a nossa gestão e estamos atuando em diversas frentes para dar continuidade às ações já implantadas e consolidar as diretrizes traçadas pelo nosso último Fórum de Defesa Profissional.

2.      O que se prevê de diferente para os próximos dois anos?

Já temos diversas novidades a ponto de serem oferecidas ao associado. Uma das melhores notícias é a disponibilização de todos os periódicos do Portal Periódicos da CAPES, que conta no seu acervo com aproximadamente 30.000 revistas científicas, entre elas todos os principais periódicos relacionados à medicina intensiva. O nosso departamento de informática está apenas terminando de ajustar alguns aspectos técnicos para poder colocar essa ferramenta à disposição dos associados.

Uma iniciativa que deverá ajudar muito na divulgação de conhecimento e na comunicação interna e externa da AMIB é a incorporação do Workplace, que é uma ferramenta corporativa poderosa do Facebook, cedida gratuitamente à AMIB.

Outro projeto em andamento é a elaboração de alguns cursos avançados, que terão um conteúdo programático mais especializado para aqueles que se interessam em aprofundar seus conhecimentos em determinados temas.

Neste ano de 2018, especificamente, a AMIB será responsável pela organização do XVI Congresso de Medicina Intensiva Pediátrico, em Fortaleza, no Ceará

3.      Há algum projeto que dedicarão um olhar mais cuidadoso?

O programa UTIs Brasileiras é um projeto que será especialmente estimulado na nossa gestão. Esse projeto é uma parceria da AMIB com a EPIMED e por meio dele disponibilizamos gratuitamente uma ferramenta para coleta de dados e emissão de relatórios sobre o desempenho de cada UTI, que pode ser comparada com as outras 769 UTIs participantes. O Registro Nacional de Terapia Intensiva conta hoje com cerca de 12 mil leitos de pacientes adultos e é o maior banco de dados desse tipo no mundo, incluindo aproximadamente 40% dos leitos de UTI Adulto do país e que pode crescer ainda mais. Essa é uma fonte de informações absurdamente valiosa do ponto de vista estratégico e científico, e pretendemos estimular a inclusão efetiva do maior número de UTIs possível. As UTIs participantes recebem um selo de participação conferido pela AMIB e EPIMED e, como presidente da AMIB, eu me comprometi a conferir pessoalmente os selos de distinção às UTIs com os dados mais consistentemente coletados nos últimos anos em cada um dos estados da federação.  

4.      Em termos de titulação e formação, que é o core da AMIB, como a gestão atuará?

Como já ressaltado, consideramos a formação como o principal caminho para o efetivo reconhecimento da nossa especialidade. Em decorrência disso, não mediremos esforços para aperfeiçoar a formação dos intensivistas, por meio de estímulo às ações da Comissão de Formação, que irá supervisionar e estimular o aprimoramento da qualidade dos Centros Formadores AMIB.

Quanto à nossa titulação, a nossa prova de título é reconhecida pela própria Associação Médica Brasileira como uma das três melhores avaliações entre as especialidades médicas. Independentemente disso, estamos sempre procurando maneiras de melhorar ainda mais o nosso certame. A Comissão de Título está avaliando algumas mudanças com o objetivo de aprimorar a avaliação e torná-la ainda mais discriminativa.   

5.      Como imagina o futuro da medicina intensiva no País?

Com muito otimismo, em decorrência das características da própria especialidade, que é um campo em contínuo crescimento, tanto mercadológico quanto científico, e cuja relevância, com o envelhecimento da população, ganha contornos estratégicos de muita importância em termos de políticas públicas de saúde. Por outro lado, encaro esse futuro com a preocupação de que devemos manter sempre o mesmos ímpeto e resiliência em consolidar a nossa especialidade por meio de uma formação sólida e eficiente. Disso depende nosso futuro. 

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