Publicada em 11/11/2015 às 10h43

AMIB e Biomérieux divulgam resultado do piloto do estudo epidemiológico do perfil da resistência bacteriana nas UTIs brasileiras

A última sessão do XX CBMI – Congresso Brasileiro de Medicina Intensiva, que ocorreu na semana passada na Costa do Sauípe (BA), contou com a apresentação dos resultados do estudo-piloto “Vigilância epidemiológica do perfil de resistência bacteriana nas UTIs do Brasil”, desenvolvido pela AMIB em parceria com a Biomérieux.

Os dados foram explicados pelo médico intensivista Dr. Thiago Lisboa (RS), coordenador da Campanha Prevenção da Infecção na UTI, lançada pela AMIB em abril desse ano. O estudo fez parte das atividades da Campanha e contou com a participação de dez unidades de terapia intensiva brasileiras. Com foco em hemoculturas, as coletas foram realizadas de julho de 2014 a agosto de 2015 e analisadas por um software (WHONET), com os critérios de interpretação CLSI M100-S25/2015.

“Os dados permitirão a construção de uma rede de vigilância epidemiológica por meio da extração e processamento para a geração de relatórios anuais e benchmarking entre as unidades participantes”, diz.

Um dos objetivos do mapeamento é descrever a distribuição de microbiologia e de patógenos resistentes a múltiplas drogas no Brasil no cenário de cuidados intensivos.  Estima-se que de 500 mil a um milhão de mortes ocorram no mundo devido à resistência antimicrobiana. Um fato alarmante é o crescimento na última década do consumo global de antibióticos em ambiente hospitalar, que bateu a casa dos 40%. Estudos estatísticos revelam que se nenhuma mudança ocorrer, em 2050, o mundo registrará cerca de 10 milhões de mortes associadas à resistência a antibióticos e a antimicrobianos, superando a morte por câncer, por exemplo.

“O uso racional desses medicamentos na UTI, restringindo-se espectro e duração minimamente necessários, é a melhor maneira de combater a emergência de resistência no ambiente hospitalar e, principalmente, nas unidades de terapia intensiva. Para tal, é importante conhecermos as taxas de referência de resistência bacteriana em relação às diferentes drogas para que possamos avaliar o impacto das medidas potenciais e desenvolvermos campanhas de prevenção”, reforça Dr. Thiago Lisboa.

Conclusão - O estudo piloto demonstrou a viabilidade de obtenção dos dados e da geração de relatórios. Um perfil epidemiológico de resistência bacteriana nas UTIs brasileiras pode ser traçado por meio da ferramenta utilizada do projeto após a incorporação de outros hospitais participantes.

“Um dos pontos importantes apresentado no projeto piloto é a possibilidade de se obter dados que permitam desenhar estratégias terapêuticas dirigidas às realidades de cada hospital, com o aumento do tamanho amostral e tempo de observação”, afirma Dr. Thiago Lisboa. 

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